Os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ambos candidatos à reeleição para os atuais cargos que ocupam no Parlamento, devem recorrer esta semana a uma ferramenta democrática prevista na Constituição de 1988 para saírem das cordas em dois temas que os aflige e em torno dos quais empenharam suas palavras para grandes grupos de opositores a eles em suas respectivas Casas legislativas: convocar um plebiscito para formalizar, por meio do voto popular, a autorização para que o próximo Congresso (que tomará posse em 2 de fevereiro) discuta uma Reforma Política mais ampla que a mera instituição do voto distrital (misto? Puro? Distritão, o famigerado?) e também a polêmica redução da maioridade penal.
Os defensores da ideia do plebiscito sobre os dois temas argumentam que a convocação do dispositivo constitucional de consulta popular assegura a manutenção do tema em debates públicos – o que interessa a oposição ao presidente Lula – mas, por outro lado, não se compromete com modelo de fundo nenhum – o que é interessante para a bancada governista e de esquerda, que ganha tempo para explicar suas teses à sociedade e para juntar maiorias parlamentares a favor delas longe do calor da disputa político-eleitoral.