Encerram-se em março do ano que vem três dos mais cobiçados contratos de comunicação institucional, relações públicas e pesquisa do país: aqueles que instalaram há mais de dez anos – no período de Michel Temer na Presidência, depois confirmados por novas licitações realizadas sob o comando de Jair Bolsonaro – a FSB Holding no coração do poder em Brasília. Sete empresas atualmente ligadas ao grupo receberam R$ 985,34 milhões em pagamentos federais identificados entre 2014 e outubro de 2026. Neste terceiro mandato do presidente Lula, graças a subterfúgios legais aceitos durante o período do deputado Paulo Pimenta na Secom/PR, foram efetivamente pagos R$ 554,15 milhões ao conjunto de CNPJs da FSB somente pelo Palácio do Planalto. Agora, como vem sendo feito desde 2025, os contratos das áreas de comunicação institucional, pesquisa e relações públicas no exterior para atendimento da Presidência da República serão pulverizados em três ou quatro agências distintas em cada uma delas. A quantidade de empresas contratadas para atender a cada área dependerá o tamanho da verba a ser alocada em cada certame.
As pesquisas qualitativas e quantitativas que balizam a gestão em comunicação do governo federal também estão nesse emaranhado. Atá agora, empresa Nexus é quem as produz, tanto para o Planalto quanto para bancos e partidos de oposição ou corporações privadas que as contrata. Técnicos do Partido dos Trabalhadores elaboraram um estudo sobre o espraiamento da FSB por toda a Esplanada e a aquisição de outros CNPJs prestadores de serviços na área publicitária durante a vigência do atual contrato. São empresas como a Calia (agora Alia Publicidade) e a produtora de filmes institucionais Santeria. O conjunto dessas empresas ou de subsidiárias e parceiras também presta serviços nas mesmas áreas – comunicação, assessoria de imprensa, gestão de crise, pesquisa e produção de vídeos on e off line – ao governo de São Paulo, à Fiesp e à Confederação Nacional da Indústria (CNI). A ausência de filtros éticos e de muros de contenção contra vazamentos de informações e de estratégias de ação não só preocupa os petistas e o próprio governo, na configuração atual da Secom/PR, como levanta suspeitas em relação a focos de vazamentos ocorridos durante a campanha eleitoral desse ano.