Está chegando a hora e a vez de Guedes

Ex-ministro da Economia de Bolsonaro é investigado pela PF por suspeita de crime contra o sistema financeiro

Paulo Guedes era o “Posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro, o homem que teria todas as respostas. Agora, terá de dar explicações detalhadas à Polícia Federal. O ex-ministro da Economia é investigado em inquérito sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. No centro do caso está a OnilX, empresa de criptomoedas do empresário Fábio Lino de Almeida. A OnilX prometia rendimentos de até 2,8% ao mês, algo como 39% ao ano, e acumula 108 ações judiciais de investidores que não conseguem resgatar o que aplicaram. Desde janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários mantém suspensas as ofertas do grupo, que intermediava valores mobiliários sem autorização.

Guedes não era figurante. Ele dava consultoria ao dono da OnilX, sentava-se em reuniões estratégicas, recebia potenciais investidores e emprestava a cara a peças de divulgação. Uma assessora da empresa oferecia um encontro com o ex-ministro a quem tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar. Um casal que cobra R$ 876,5 mil na Justiça diz ter ampliado os aportes depois de ouvir o ex-Posto Ipiranga de Bolsonaro na sede da empresa, em abril. Quatro meses depois, o dinheiro não voltou. A PF precisa determinar se o ex-ministro sabia do que se tratava aquilo que ajudava a vender. A OnilX nega irregularidades. A defesa de Guedes, que é a mesma de Fábio Lino, não respondeu à imprensa. Papéis remunerados a  2,8% ao mês, com ex-ministro da Economia dando seu aval a eles, assemelham-se em tudo a CDB pagando 140% do CDI que eram oferecidos pelo arruinado Banco Master.

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