Em Brasília, mede-se a intimidade e a liberdade de um interlocutor com o presidente da República pela liberdade que ele tem para entrar no gabinete presidencial do 3º andar do Palácio do Planalto sem blazer ou gravata e de mangas de camisa arregaçadas. No panorama atual de colaboradores, assessores, ministros e integrantes da velha guarda do PT, só duas pessoas reúnem credenciais para portar (sem exibir) passe-livre tão poderoso: Paulo Okamotto, presidente da Fundação Perseu Abramo, amigo e contador do presidente Lula há mais de 40 anos, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Por temperamento e em razão do estilão ascético de se comportar, raras vezes Alckmin foi flagrado no gabinete do presidente sem gravata. Sem o blazer ou a jaqueta do paletó, jamais. Porém, coleciona subidas de patamares de influência em todos os caminhos que levam ao “governo Lula 4”: Geraldo Alckmin, e não mais João Campos, ex-prefeito do Recife, será o fiador da aliança histórica do PT com o PSB olhando para as eleições municipais de 2028 e a sucessão presidencial do próprio petista em 2030. O Partido dos Trabalhadores pretende ter candidato próprio à Prefeitura do Recife dentro de dois anos e a deputada Tábata Amaral está na fila de espera, com senha preferencial na mão, para ser candidata da esquerda unificada a prefeita de São Paulo. O vice-presidente conduzirá uma espécie de “relatoria” da transição da atual para a futura gestão presidencial de Lula – e o ex-prefeito do Recife espera assumir um ministério na nova Esplanada lulista. Alckmin está com a faca e o queijo nas mãos para ampliar sua influência e controle sobre o PSB (e a ascendência mineira da família dele garante destreza no uso das ferramentas políticas).