Congresso que vem aí precisa ter bancada comprometida em fiscalizar RPPSs

Partidos políticos, sindicatos de funcionários públicos e tribunais estaduais de contas devem se comprometer com mandatos de cunho fiscalizatório

O vazio regulatório dos processos de captação e investimentos de fundos administrados por meio de RPPSs não ficou sem consequências. Ele foi ocupado por fraudes. A lista delas é longa e o padrão é sempre o mesmo: gestor indicado politicamente, consultoria financeira com conflito de interesse, investimento de alto risco aprovado como se fosse conservador, dinheiro que some em cascatas de fundos impossíveis de rastrear. Eleições gerais como a de outubro desse ano são oportunidade espetacular para começar a pôr fim nisso. É necessário que em todos os estados da federação sejam eleitor parlamentares federais – deputados e senadores – comprometidos com a fiscalização e correição das gestões desses fundos.

Em 2014, a Operação Nomadismo da Polícia Federal apurou desvios de até R$ 40 milhões em benefícios fraudulentos. Em 2017, o Caboprev — fundo dos servidores de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco — perdeu R$ 51 milhões em fundos de alto risco aprovados à revelia do próprio comitê de investimentos, com suspeita de interferência direta do prefeito. Em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, o PreviCampos despejou R$ 500 milhões em 15 fundos problemáticos — entre eles, um hotel inacabado em Belo Horizonte e o Trump Hotel no Rio. O rombo chegou a R$ 5 bilhões.

Conteúdo para assinantes

Tenha acesso ilimitado a todas as edições, com reportagens exclusivas, análises jurídicas e políticas, além de um olhar crítico sobre a história sendo escrita diante dos nossos olhos.