Havia, em Brasília, uma espécie de consenso tácito sobre Davi Samuel Tobelem Alcolumbre. Ecoado pelos spins doctors, que voam em torno dos focos de poder como as mariposas se lançam em órbitas toscas ao encontro de fachos de luz. De acordo com esse Consenso dos Puxa-Sacos, ele era um homem previsível. Não por honestidade – afinal, isso que já foi um diferencial competitivo em homens públicos, a capital federal já não exige mais de ninguém. Mas, sim, por conveniência.
Alcolumbre sempre soube que o açaí amazônico só ganha textura aveludada quando batido na temperatura e no momento certos. Era um homem do centro, entronizado presidente do Senado pela segunda vez com o voto de 73 dos 81 senadores. Esquerda, centrão, direita, extrema direita… Todos juntos o apoiaram num raro consenso que a política brasileira só produz quando esses atores e atrizes querem tirar alguma coisa da mesma caneta ao mesmo tempo. O governo do presidente Lula apoiou sua recondução. A direita aceitou. O Centrão aplaudiu. Era Brasília funcionando dentro de seus padrões tortuosos de normalidade. E esses padrões, como todos sabemos, têm prazo de validade curto. Alcolumbre os venceu todos.