Muitos dos políticos, assessores de políticos e alguns familiares de togas coroadas do Poder Judiciário brasileiro recebiam ao menos parte de seus contratos de consultoria com o banco Master e outras empresas satélites nos esquemas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na forma de aplicações ou fundos que ficavam na própria instituição financeira liquidada em 18 de novembro passado. Isso explica, em parte, o motivo pelo qual R$ 793 milhões aplicados por diversas pessoas físicas e jurídicas em Certificados de Depósitos Bancários do Master (aqueles CDBs anabolizados que supostamente remuneravam o investidor em 140% da taxa do CDI) ainda não foram reclamados ou sacados por ninguém.
Ou seja, há quase R$ 800 milhões em CDBs boiando nos cofres liquidados do ex-banco de Vorcaro. Agora, os investigadores do Banco Central, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Polícia Federal e do Ministério Público estão correndo atrás da cadeia de propriedade desses fundos para chegar a uma das pontas ocultas do esquema.