Pouco antes de estourar o escândalo do Banco Master, em novembro de 2025, o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), voltava de um fim de semana com a mulher e alguns secretários do GDF (com as respectivas mulheres também) quando pediu a atenção de todos que o acompanhavam num jatinho privado. Amanhecia e a aeronave sobrevoava o Plano Piloto de Brasília. “Olhem lá para baixo”, determinou Ibaneis. Todos obedeceram e olharam. “Posso dizer que tudo isso é meu”, jactou-se. Ouviu-se um murmúrio entre o riso forçado, o constrangimento implícito e uma certa preocupação com a falta de senso do político.
Transcorridos nove meses, Ibaneis Rocha não tem motivo algum para crer que Brasília seja dele. A carreira política iniciada há apenas oito anos, quando em 2018 largou a seccional da OAB no Distrito Federal para disputar o mandato de governador, foi para o vinagre. Há duas semanas ele formalizou a decisão de não disputar “nem o Senado, nem cargo eletivo algum” em 2026. Para os amigos, justificou-se dizendo que ia se concentrar na sua defesa criminal, uma vez que é acusado de ter facilitado os golpes dados por Daniel Vorcaro contra a boa-fé do Sistema Financeiro Nacional e do Banco Central nas operações de falsa compra do Master pelo BRB. Na esteira das fraudes do Master também há suspeita de atos de corrupção por parte do ex-governador – tudo ainda sob investigação na Polícia Federal, no Ministério Público e no Supremo Tribunal Federal.