Negócios dos filhos de Ibaneis no alvo das investigações

Caio Barros e João Pedro Rocha, os dois filhos mais velhos do governador de Brasília, tornam-se alvo dos investigadores de BR, SRF, PF e MPF que escrutinam fraudes financeiras do Master e da Reag
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Um novo apartamento com negociações ligadas ao advogado e administrador Caio Carvalho Barros, filho do governador do Distrito Federal, surgiu no horizonte (e nas planilhas) dos investigadores que analisam a dispersão de patrimônio e lavagem de dinheiro de personalidades públicas que se envolveram de alguma forma nas fraudes financeiras promovidas pelo Banco Master e pela operadora REAG DTVM, ambos liquidados pelo Banco Central. É uma cobertura duplex de 728 m² no empreendimento Kalea Jardins, da Construtora Tecnisa, na rua da Consolação (São Paulo) avaliada em R$ 32 milhões.

Na última 4ª feira o site Vero Notícias revelou que o apartamento 604, também duplex, na cobertura do bloco F da SQNW 106 (Superquadra Noroeste 106) em Brasília, está registrado em nome de Caio Carvalho Barros e se encontra sob investigação. Em 19 de março de 2025, apenas duas semanas depois de o Banco Regional de Brasília (BRB) fazer um comunicado formal ao mercado financeiro anunciando que compraria o Banco Master, o duplex do Noroeste foi transferido do empresário Cláudio Mohn França para o proprietário atual, Caio, que o utilizou de imediato como fiança para empréstimo adquirido junto ao BRB.

Advogado e administrador de empresas, Caio Carvalho Barros é o primogênito do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Mohn França é empresário dos ramos de tecnologia, incorporação e “consultoria” e opera em negócios paralelos ao GDF.

O negócio imobiliário do Setor Noroeste, confuso porque o apartamento passou por três transferências de propriedade no curto espaço de 18 meses, foi flagrado na teia de dispersão e ocultação de patrimônios que está sendo tecida pelos investigadores da Receita Federal, do Banco Central e do Coaf no levantamento das operações fraudulentas que tentavam forjar a aquisição do Master pelo BRB. Em junho de 2024, o escritório de advocacia da família de Ibaneis Rocha, administrado por Caio Barros, vendeu um crédito de R$ 38 milhões à REAG DTVM, operadora liquidada pelo BC, assim como o Master.

João Pedro Rocha, 21 anos, filho do meio de Ibaneis, também está com sua vida empresarial sob escrutínio dos investigadores dos escândalos financeiros do Master e do BRB. Em 2021, o governador de Brasília criou a empresa “Nação Rubro-Negra” com o capital social de R$ 1 milhão semanas depois de o BRB firmar parceria comercial com o Flamengo. Tendo os filhos por sócios, Caio como administrador e João como face pública da “Nação”, o empreendimento da família Rocha passou a administrar das lojas do Flamengo no Distrito Federal. Agora, João Pedro toca a startup de eventos esportivos “Unie”, recebeu R$ 559 mil em investimentos da Secretaria de Tecnologia do DF e se filiou ao MDB (mesmo partido do pai) com pretensões a disputar um mandato de deputado distrital em outubro.

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