Um turbilhão de emoções jamais sentidas

A onda direitista que inundava a América do Sul é interrompida pelo tsunami da democracia
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No domingo, histórico 25 de outubro, o Dia da Democracia em homenagem a Vladimir Herzog, a festa da vitória, sob a garoa fina que era característica de São Paulo, encheu nossos corações de orgulho, esperança e felicidade.

Orgulho por termos sido capazes de vencer forças que jamais havíamos enfrentado tão explicitamente: a sabotagem de Donald Trump, das big techs, das bets, e o ainda persistente esforço do neofascismo miliciano tupiniquim.

Esperança por termos visto a juventude brasileira, a tal que andava apenas voltada para os próprios umbigos, sair às ruas, tomar as redes, e comandar a reviravolta, a maior virada, tão grande, mas tão grande que, pensando bem, no final foi fácil, com 4 milhões e 400 mil votos de diferença.

Felicidade porque a alegria foi o sentimento que serviu de combustível para a virada, numa campanha em que o medo do autoritarismo bandido impulsionou uma onda festiva de coragem cidadã para crescer 10 milhões de votos.

Ao voltar para casa da Avenida Paulista, depois de percorrer coisa de oito quarteirões a pé sob aquela chuvinha fria com meu filho caçula, que 15 dias antes me deu um netinho, olhei para aquela garotada que misturava Lula com Corinthians e pensei como a vida vale a pena.

Caso tivesse acontecido resultado diferente, nem assim o sentimento seria de derrota, apesar da tristeza. Porque o futuro estava ali, para resistir.

E nada pior para os governantes, nem Congresso Nacional hostil, que o povo protestando organizado nas ruas.

Daí o tetracampeão Lula ter anunciado que governará como ainda não governou, com o povo como protagonista.

O que não é chavismo, nem democracia direta: é sabedoria.

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A psicanalista Camila Kfouri, que faleceu um dia após a vitória de Lula no segundo turno (Foto/Reprodução)

Lula poderia ter, ao fim da segunda gestão, quando tinha 87% de aprovação, convocado plebiscito e obtido terceiro mandato.

Preferiu indicar Dilma Rousseff, como se sabe. E venceu.

Fez muito bem em não alterar as regras do jogo, como fez bem em perceber a tempo que o salto alto do primeiro turno levaria ao desastre agora em 2026.

Aí é que a meninada de Niterói entra em campo, acende o estopim e explode o pais com indignação e coragem.

A onda direitista que inundava a América do Sul é interrompida pelo tsunami da democracia. O mundo civilizado agradece.

Difícil dormir naquela madrugada tamanha a carga de adrenalina, tão grande a satisfação envolvida por tanto carinho nas ruas.

Mal sabia da montanha-russa armada na segunda-feira, 26, o dia mais triste, brutal e antinatural que um pai pode viver.

Perdi minha filha, minha Camila, aos 48 anos.

Nada mais há a dizer.

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