Por Igor Mello
A aplicação de um ato da presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) vem arrancando calafrios em amplos setores da política do Rio. A norma, que passou desapercebida quando foi publicada, em março deste ano, permite a troca de informações de inteligência entre órgãos de segurança pública para vetar as candidaturas de nomes ligados ao crime organizado.
O ato assinado pelo presidente da corte eleitoral, o desembargador Claudio de Mello Tavares, criou o Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral, com configuração e poderes inéditos.
O aspecto que ganhou repercussão pública foi a realocação de locais de votação para evitar que os eleitores votassem em áreas controladas por traficantes e milicianos. Porém, a novidade é a integração das áreas de inteligência de nove secretarias e órgãos –indo desde as forças de segurança estaduais até a PF, a PRF e o Comando Militar do Leste– para filtrar candidatos sob suspeita de atuação ligada ao crime organizado.
O mecanismo, inédito nas eleições fluminenses, já fez a primeira vítima de peso: o deputado estadual Val Ceasa (PRD-RJ) –ligadíssimo ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar– teve o registro de candidatura impugnado pela Procuradoria Regional Eleitoral com base na atuação do novo grupo de trabalho. Val Ceasa é acusado de atuar em prol dos interesses do traficante Peixão, principal líder do Terceiro Comando Puro (TCP) e criador do chamado Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.