O gaúcho Augusto Nardes, que virou ministro do Tribunal de Contas da União pelas mãos do PP, resolveu entrar no jogo da política partidária de novo. No início do ano ele acertou com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do partido, e com o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, que se o PP assegurasse amplo apoio à candidatura a deputada de sua filha ele anteciparia a aposentadoria e abriria uma vaga no TCU que tem de ser preenchida por nome indicado pela Câmara dos Deputados.
Nogueira, mesmo ferido pelas denúncias de corrupção oriundas das operações Carbono Oculto, Carbono 086 e Compliance Zero, bancou a aposta e abriu a Tesouraria do PP para a pré-campanha da filha de Nardes. Agora, o homem que relatou a tese esdrúxula das pedaladas fiscais e deu viabilidade ao avanço do impeachment sem crime de responsabilidade de Dilma Rousseff fez a sua parte: anunciou que sai do TCU em dezembro, 11 meses antes de completar a idade limite de 75 anos, e põe a própria cadeira à disposição de Arthur Lira. O ex-presidente da Câmara anda às voltas com disputa acirradíssima para o Senado em Alagoas, não figura entre as duas primeiras opções dos alagoanos para ascender de posto no Congresso e, caso seja derrotado, tende a ser candidato ao TCU – o cargo é vitalício e garante prerrogativa de foro em caso de processos judiciais, além de ser um local privilegiado para Lira defender o “Orçamento Secreto” pelo qual velou tão zelosamente e garantiu seus tempos de glória no poder entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2025.