Lula e o jogo da Faria Lima

Mercado pressiona, mas governo não abre mão de definir ritmo e distribuição de custos do ajuste fiscal

Depois de apostar numa vitória de Flávio Bolsonaro, o mercado viu sua expectativa frustrada: a reeleição de Lula foi seguida pela maior queda do Ibovespa no primeiro pregão após uma eleição presidencial da série histórica iniciada em 1989. Agora, o mesmo mercado cobra um ajuste fiscal mais duro. O governo, por sua vez, sinaliza que pretende reorganizar as contas, mas disputa o ritmo, os instrumentos e a distribuição de seus custos.

No primeiro pregão depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 26 de outubro, o Ibovespa caiu 13,88%, o dólar à vista subiu 8,36% (para R$ 5,4066), os juros futuros dispararam e a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020. Na semana, a Bolsa acumulou perda de 18,12%, a maior desde o choque inicial da pandemia da covid-19. A intensidade do movimento não refletiu apenas uma reação ao vencedor. A Reuters registrou que parte relevante do mercado havia entrado no segundo turno posicionada para uma vitória de Flávio Bolsonaro e para uma política fiscal mais restritiva. Quando o resultado contrariou essa aposta, investidores desmontaram posições e reprecificaram ativos.

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