Sobre o lobby do Master: ouçam Isaac Sidney, da Febraban

Presidente da Federação dos Bancos esteve dos três lados do prisma que capturou a luz opaca de Daniel Vorcaro e tem muito a falar

Poucas pessoas que viram muito de perto os primeiros esporos do fungo Daniel Vorcaro surgirem no Sistema Financeiro Nacional estão tão aptas quanto o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Isaac Sidney, a explicar para a sociedade como o ex-banqueiro surgiu na condição de excrescência olhada com desconfiança pelo Banco Central, deu um nó no aparato de fiscalização regulatória da autoridade monetária do país, driblou por anos a fio os diques de contenção de fraudes do mercado e se converteu em célula motora do organismo que põe em xeque a proverbial e histórica resiliência das instituições bancárias brasileiras a todos os tipos de crise que já viveu. Em que pese o ex-banqueiro ter entrado no SFN pela janela do Banco Máxima ainda no início de 2017 e Sidney só ter sido chamado a observar de perto a colônia fúngica que já se formava no final de 2018, pode-se dizer que ele tinha condições de visualizá-la nas plaquetas dos microscópios antes da grande maioria dos investigadores atuais.

O advogado maranhense, formado e pós-graduado em instituições privadas do Distrito Federal, procurador concursado do Banco Central (instituição da qual se desligou totalmente em 16 de novembro de 2018, depois de cumprir uma quarentena de seis meses), ainda não foi chamado nem por auditores do BC, nem por investigadores da Polícia Federal ou procuradores do Ministério Público para dizer (com base em sua larga experiência jurídica no meio financeiro) o que viu, o que ouviu e, sobretudo, o que sentiu nos cinco meses e meio em que esteve no coração da operação destinada a converter o Banco Máxima – um pária do sistema financeiro, com um passivo a descoberto de R$ 3 bilhões, e controlado por um suspeitíssimo Saul Sabbá, que tinha por sócio (com 20% das ações) um arrivista desconhecido no resto do Brasil e só conhecido em Minas Gerais (ele mesmo, Daniel Vorcaro!) – no poderoso Banco Master, que estendeu sua teia de influência aos três poderes da República e espalhou reféns nas instituições por onde saía comprando influência, distribuindo terror e multiplicando dívidas.

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