‘Juca, o Mudo’ é a maior celebridade jurídica de Brasília

José Luiz de Oliveira Lima, advogado que conduz as delações de Daniel Vorcaro e João Carlos Mansur, impôs-se o silêncio até mesmo na intensa vida social brasiliense. Afinal, na capital da República as paredes têm ouvidos
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Fala-se em excesso nos jantares de Brasília, cidade onde as paredes têm ouvidos – sobretudo quando os comensais não cuidam de olhar ao redor da mesa em que sentam para saber quem os escutará caso digam o que não deviam ter dito. Velho conhecido das mesas da capital da República, cidade que frequenta de forma contumaz há três décadas a fim de cumprir compromissos dos clientes que defende, o criminalista José Luiz de Oliveira Lima (“Juca”, para os amigos mais próximos), nunca observou a prudência nos restaurantes brasilienses. Por isso, sempre foi um dos mais festejados convivas nas mesas onde se vara madrugadas contando casos e bebendo-se bons vinhos, bons uísques e boas grapas.

Há três semanas, contudo, a rotina de Juca mudou completamente. Desde que assumiu a condução da delação de Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro que estava à frente do rol de fraudes do Banco Master, o proverbial falar fácil e brincalhão do advogado se converteu em silêncios espaçosos e muito estudo de cena. Ele já conduzia o processo de delação de João Carlos Mansur, fundador e ex-CEO da operadora REAG DTVM, espécie de branqueadora dos procedimentos financeiros obscuros nascidos no Master, mas as tratativas para a delação do ex-controlador da distribuidora de títulos e valores se dava basicamente em São Paulo. Agora, mergulhado nas duas delações, praticamente mudou sua vida para Brasília e sempre avisa aos amigos que o convidam para almoçar, jantar ou assuntar quaisquer temas jurídicos: “sou Juca, o Mudo”.

O criminalista, que tem vasta experiência em delações e acompanhou alguns dos processos e procedimentos mais nefastos da Operação Lava Jato, sabe que muitos lobistas, jornalistas, operadores do direito em geral e até colegas de profissão, testam os limites da cautela dos advogados de delação para saírem das conversas com algum tipo de informação privilegiada em mãos. E informação é poder, no aforismo mais clichê das capitais republicanas – onde grassa o lobby. “De tudo o que leio ou ouço sobre a delação do meu cliente, o que mais é verdade é que nada é verdade. Como ele só fala de delação comigo ou por meu intermédio, e como não falei com ninguém, nenhuma dessas notícias que têm saído passa de especulação”, diz Juca, o Mudo, que pediu à Reserva Exclusiva para quebrar o silêncio a fim de consignar esta frase na coluna.

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