A campanha que ‘democratizou’ o brutal veneno da intolerância

Na semana da eleição, santos católicos são alvo de violência que atinge religiões africanas há séculos

Os últimos sete dias entrarão para a história do Brasil. Esta foi a semana em que milhões de brasileiros e brasileiras puderam sentir um pouquinho o que religiões de matriz africana sentem há séculos: a dor da violência brutal da intolerância religiosa. Segundo o Censo 2022 do IBGE, os católicos são 56,7% da população brasileira. Estamos falando de um contingente populacional de cerca de 100,2 milhões de pessoas, que estão assistindo, perplexas, ao show de fanatismo que está depredando imagens de Nossa Senhora Aparecida em todo o território nacional.

A campanha eleitoral de 2026 “democratizou” – ou seja, levou a uma população majoritária – a angústia e a tristeza que adeptos de religiões de matriz africana sentem ao serem alvos de agressões físicas, de xingamentos pejorativos e da destruição de seus terreiros, imagens e objetos sagrados. Uma violência cruel, que nunca poupou crianças ou idosos e jamais foi combatida adequadamente. Jamais reprimida com o rigor que uma democracia laica real exigiria.

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