Se Flávio B. vencer, ‘Não Verás País Nenhum’

Ficção escrita sob a ditadura é mapa do caminho para o Brasil caso candidato do PL se eleja presidente

Ensaios preditivos, gênero que o jornalismo pratica menos do que devia, são o que se pode fazer a uma semana das urnas de 4 de outubro de 2026, numa eleição fadada a se converter em marco para a nossa tradição democrática e republicana. E se o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, primogênito e “filho 01” do clã trágico liderado pelo presidiário Jair Bolsonaro, sair vitorioso do pleito? Sem torcer ou distorcer, é a pergunta que as mentes sãs do Brasil fazem neste momento. A partir de tudo o que testemunhamos entre 2019 e 2022, durante o mandato do “pai do Flávio”, extraio o roteiro de uma distopia que tem todos os brasileiros como protagonistas.

Em 1981, ainda durante o mandato obscurantista do último dos generais-presidentes da ditadura militar, João Figueiredo, o paulista Ignácio de Loyola Brandão publicou Não Verás País Nenhum. Em sua ficção, narra a história de uma São Paulo futura sufocada pelo calor, tomada por lixões a céu aberto e multidões desgovernadas subjugadas por um regime chamado apenas de “Esquema”. A Amazônia tinha se convertido em deserto. A água era racionada. A comida, sintética. O sol do meio-dia matava quem estivesse nas ruas.

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