Mounjaro, Wegovy, Saxenda e Ozempic, além de suas fórmulas genéricas, podem estar se convertendo em moeda eleitoral em troca de voto em diversos municípios brasileiros. Redigido de forma dúbia, um dos dispositivos do Orçamento Geral da União de 2026 determina que 60% das verbas destinadas às emendas impositivas formuladas por deputados e senadores sejam gastas na área de saúde. Desse total, cerca de R$ 3 bilhões podem ter como destino emendas feitas sob medida para que prefeitos e governadores, hospitais estaduais e postos municipais de atendimento básico à saúde, gastem-nas na compra de medicamentos essenciais a tratamentos preventivos de males que atingem a população.
A obesidade e doenças associadas a ela como hipertensão, diabetes e suas intercorrências se encaixam na descrição do dispositivo orçamentário. O governo federal está obrigado a liberar 65% das verbas destinadas às emendas impositivas até agosto. Uma centena e meia de municípios brasileiros inscreveram programas de redução de peso de suas populações entre as prioridades para recebimento de emendas do Orçamento. Essa inscrição legaliza e orienta quaisquer gastos orçamentários para a compra de drogas emagrecedoras com verbas de emendas impositivas.