A crise atual do capitalismo e o Antropoceno

Estamos assistindo a um colapso sem ter ainda consciência das dimensões do fenômeno?

A ideia-força do capitalismo – acumulação infinita de riqueza – repousava numa premissa implícita, cuja implicitude deveria ser mantida, sob o risco de inviabilizar o sistema. A explicitação dessa premissa é o raio-X da crise definitiva da forma-capitalismo. A utopia da acumulação infinita de riqueza dependia da crença correlata na natureza como um reservatório igualmente inesgotável de novas matérias-primas, um depósito sem limites de bens renováveis, a serem explorados sem solução de continuidade, conduzindo a um futuro eterno de abundância crescente.

A tração animal já não permitia o pleno desenvolvimento das forças produtivas? De fato, dos tempos do Império Romano até a invenção das ferrovias, o tempo médio de viagem por terra de Roma a Londres permaneceu praticamente inalterado. E, por isso, Roma construiu um Império, ou seja, “após a morte de César, Augusto não somente monopolizou a importação de papiro, a outra materialidade do Império, mas também colocou em movimento a tecnologia de sua transmissão. Em suma, como Suetônio relatou, Augusto criou o cursus publicus”.[1]

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