Habituado durante toda sua gestão a adotar a estratégia do avestruz, escondendo-se quando se via envolvido em denúncias ou polêmicas, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), mudou de abordagem. Acossado pela faxina ética promovida pelo desembargador Ricardo Couto, que o substitui interinamente no Palácio Guanabara, Castro passou a rebater os atos do governador em exercício por meio de vídeos nas redes sociais.
Ainda quando estava na cadeira que agora é de Couto, o inelegível Cláudio Castro usava suas contas em plataformas para rebater críticas de adversários políticos como o ex-prefeito Eduardo Paes e o deputado federal Otoni de Paula (ambos do PSD). Porém, mantinha silêncio sobre os atos do sucessor.
A nova fase de Castro foi inaugurada quando ele publicou um vídeo, na quarta-feira, 6 de maio, criticando a transferência do programa Segurança Presente da Secretaria de Governo para o comando da Polícia Militar. O programa paga policiais de folga para supostamente reforçar o patrulhamento em áreas de grande fluxo de pessoas.
O ex-governador só esqueceu de comentar o motivo das explicações atravessadas nas redes, mas a equipe de Couto confirmou o que já era segredo de polichinelo nas rodas políticas do estado: tudo envolvendo o Segurança Presente – da escolha das sedes à nomeação de comandantes e até a escolha dos policiais contratados era moeda de troca com a Assembleia Legislativa.
O Segurança Presente ajudou a pavimentar a cassação e consequente inelegibilidade de Castro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um dos principais vetores da contratação de cabos eleitorais no escândalo dos cargos secretos foi o projeto Observatório Social do Segurança Presente, vinculado à Uerj. Em 2022, o projeto teve orçamento de quase R$ 125 milhões. A bolada serviu para contratar centenas apadrinhados políticos da base de Castro com remunerações mensais de até R$ 32 mil, como revelou o portal UOL em 2022.
A mais insólita dessas contratações foi a do advogado Aislan de Souza Coelho, que atuou como tesoureiro da campanha de Cláudio Castro na última campanha eleitoral. Coelho recebeu R$ 70 mil dos cofres públicos, mas nunca ficou claro o que ele fazia no projeto.
(Por Igor Mello)