A cena é de um realismo fantástico, digno das melhores crônicas de costumes da nossa política. Mas transcorre no balcão de um bar esteticamente moderno, daqueles que trocaram o azulejo hidráulico pelas telas de LED de alta definição. Nele, estão sentados os velhos senhores Marinho e Abravanel, adversários geracionais cordiais, ambos donos de enigmáticos sorrisos incapazes de esconder o pragmatismo argentário que os governa desde sempre.
Acomodado numa quase-esquina do recinto, a meio caminho de quem precisa chegar ao banheiro, o jovem Casimiro Miguel. Usa dois prenomes, à guisa de um sobrenome mais forte e ressonante, e o olhar aquilino não esconde a ambição da mesma natureza dos dois clientes bem mais maduros – é também um argentário.