Agenda de campanha e gestão palaciana de Lula projetam 4º mandato mirando o futuro

No Planalto, Míriam Belchior toca a Casa Civil com força e liberdade. Na campanha, Gilberto Carvalho e Marcola organizam agenda de olho na transição do PT e da esquerda
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A transferência do chefe-de-gabinete da presidência da República, Marco Aurélio Santana, o Marcola, para a estrutura de campanha à reeleição do presidente Lula (PT) pelos próximos 60 dias foi o último ato do petista na construção do núcleo operacional que ele deseja ter ao seu lado logo depois da eleição de outubro com uma missão definida: fazer a transição geracional dentro do próprio partido, auxiliar no processo de renovação das siglas aliadas e recompor a Esplanada dos Ministérios e boa parte dos gabinetes do Palácio do Planalto com nomes que dialoguem com o processo de sucessão política da liderança lulista no espectro da centro-esquerda.

Desde 1º de janeiro de 2023 até agora, Marcola é considerado pelo chefe como um subordinado que jamais deixou a desejar em sua atuação. A missão dada ao chefe-de-gabinete foi árdua: reproduzir o padrão de eficácia e aconselhamento de Gilberto Carvalho, antigo companheiro de lutas sindicais e de consolidação partidária de Lula. Marco Aurélio preservou as portas abertas para a ala histórica do PT, afinou ainda mais a sintonia com Carvalho e se constituiu, ao mesmo tempo, em ponte e filtro de diálogos interpartidários e com ministros do governo. Nesse processo, sempre contou com o auxílio de Míriam Belchior, ministra da Casa Civil que substituiu Rui Costa e estava no posto de secretária-executiva do ex-ministro baiano como mata-borrão das medidas muitas vezes atabalhoadas dele.

Míriam, Carvalho e Marcola integram-se a um restrito grupo de “discussão de futuro” formado por Paulo Okamotto, presidente da Fundação Perseu Abramo, Edinho Silva, presidente do PT, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e candidato a deputado por São Paulo, Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo paulista e Camilo Santana, ex-ministro da Educação e responsável pela campanha de reeleição no Nordeste. Além deles, apenas Geraldo Alckmin, vice-presidente filiado ao PSB, a primeira-dama Rosângela Silva e, vez ou outra, o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, são chamados a mergulhar no debate sobre temas espinhosos tais como a arquitetura de poder que precisa ser montada para o quarto mandato vislumbrando a consolidação da centro-esquerda no poder e a definição do rito de passagem do cetro de liderança desse espectro político.

Lula tem absoluta certeza da vitória em outubro e crê, sem salto alto e fazendo todas as ressalvas políticas, que ela pode vir no primeiro turno caso seja mantido o cenário de divisão e de degradação da oposição à direita e à extrema-direita a ele. Pelo desempenho que vem tendo na pasta desde abril, Míriam Belchior deve seguir na Casa Civil. Marcola deve voltar à chefia de gabinete com interlocuções ampliadas na Esplanada. Okamotto, Edinho e Carvalho terão de mergulhar fundo no PT, inclusive nos diretórios estaduais, com a missão expressa de renovar tudo dentro do partido. Uma vez eleito, José Dirceu será ao mesmo tempo o guardião das práticas passadas das bancadas petistas no Congresso e o dínamo de total renovação lá dentro em diálogo constante com o trio que cuidará do partido. Caso não vença em São Paulo – ninguém convence Lula de que isso seja impossível – Haddad voltará a Brasília. Porém, não retorna à Fazenda – o presidente tem feito muitos elogios a Dario Durigan. Camilo Santana, por fim, aguardará a composição do Senado pós-urnas – caso haja espaço para tal, pode disputar a tomada do poder das mãos de Davi Alcolumbre; caso a composição da Casa siga majoritariamente reacionária, volta ao ministério numa função de articulação política.

 

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