A desigualdade profunda do Brasil também se mede pelo acesso aos serviços básicos. Os que têm e os que não têm esgoto sanitário, por exemplo. Rio Largo, em Alagoas, é um exemplo dramático. A cidade vizinha de Maceió conta com cerca de 97 mil habitante e, deles, 69% não sabem o que é coleta e tratamento de esgoto em casa. São bairros inteiros sem o serviço que, matematicamente, já deveria estar em todas as casas da cidade.
Segundo o Instituto Trata Brasil, um investimento médio de R$ 233 reais por pessoa resolveria o problema. No caso de Rio Largo, seriam cerca de R$ 15,6 milhões. Em 2021, a cidade recebeu quase esse montante em emendas parlamentares. No ano anterior? R$ 41,5 milhões em emendas. Dinheiro suficiente para garantir esgotamento sanitário a todos os moradores num ano só, com muita sobra. Em 2024, o município recebeu outros R$ 36 milhões. Ou seja, dinheiro não falta.