A corrupção naturalizada, enfim, desmascarada: o caso Master

No Brasil, os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que, de fato, são

A liquidação oficial do Banco Master, cujo dono principal era Daniel Vorcaro, desmascarou uma cadeia de corrupções envolvendo praticamente as principais instituições nacionais, segundo alguns, até a suprema corte judicial. Como o tema é atualíssimo, retomo um pequeno estudo, feito há tempos, com as atualizações necessárias.

Consideremos o conceito de corrupção e sua origem histórico-social. A palavra corrupção tem sua origem na teologia. Antes de se falar em pecado original, expressão que não consta na Bíblia, se dizia que o ser humano concreto vive numa situação de corrupção. Mas foi Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona, hoje Argélia, no ano 416, numa troca de cartas com São Jerônimo, que criou a palavra pecado original, transmitido pelo ato sexual, pecado que corrompe o  ser humano desde o seu nascimento. Ai usa a palavra corrupção geral. Ele explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor)  rompido (ruptus) e pervertido. O filósofo Immanuel Kant não dizia outra coisa: “Somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”.

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