André Mendonça visitou credor ligado ao Banco Master antes de relatar caso no STF

Gabinete do ministro do STF afirma que encontro com advogado que recebeu R$ 6,3 milhões de estrutura ligada à Reag teve caráter pastoral e ocorreu antes da relatoria
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça visitou um credor ligado ao Banco Master meses antes de assumir a relatoria de processos relacionados ao caso. O encontro, confirmado pelo gabinete do ministro, foi classificado como “pastoral” e ocorreu em São Paulo, no Hospital Vila Nova Star, entre o fim de outubro e o início de novembro de 2025.

O episódio envolve o advogado Engels Muniz, que aparece em operações financeiras vinculadas à Reag Investimentos e recebeu R$ 6,3 milhões em uma transação relacionada à cessão de honorários advocatícios.

Quem é o credor ligado ao Banco Master citado na visita

Engels Muniz é advogado com passagem por cargos públicos, incluindo atuação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Ele também é associado a círculos políticos próximos ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

O nome de Muniz aparece em reportagens sobre operações financeiras envolvendo fundos ligados à gestora Reag Investimentos, estrutura que vem sendo mencionada em investigações sobre movimentações atípicas no sistema financeiro.

A relação entre Engels Muniz e a Reag Investimentos

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, os escritórios Ibaneis Advocacia e Engels Augusto Muniz Sociedade Individual de Advocacia participaram de uma operação de cessão de honorários no valor de R$ 38,12 milhões.

Os créditos foram vendidos a um fundo vinculado à Reag Investimentos com deságio significativo. Segundo nota do escritório, o valor efetivamente recebido foi de R$ 10,3 milhões, sendo R$ 6,3 milhões destinados ao escritório de Engels Muniz.

O que apontam os relatórios sobre movimentações financeiras

Relatórios de inteligência financeira indicam que estruturas ligadas à Reag aparecem em investigações sobre lavagem de dinheiro.

Comunicados enviados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) apontam que o FIDC Gold Style, administrado pela gestora, recebeu cerca de R$ 1 bilhão de empresas investigadas pela Polícia Federal por suposta ligação com esquemas de lavagem de recursos associados ao crime organizado.

Quando André Mendonça passou a relatar o caso no STF

A visita ao hospital ocorreu meses antes de André Mendonça assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal, o que aconteceu em fevereiro de 2026.

O gabinete do ministro afirma que o encontro não teve relação com os processos e que ocorreu exclusivamente por motivos religiosos, já que Mendonça atua como pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros.

Por que a visita levanta questionamentos?

Embora o gabinete sustente o caráter humanitário do encontro, a coincidência entre a visita a um credor ligado ao Banco Master e a posterior relatoria de processos envolvendo o caso levanta questionamentos sobre contexto e timing.

A apuração aponta que Mendonça tomou conhecimento da situação por meio da comunidade religiosa e decidiu prestar apoio espiritual à família do advogado, cuja filha estava em tratamento de saúde.

 

A informação sobre a visita foi confirmada oficialmente pelo gabinete do ministro. A apuração teve origem em denúncia recebida pela plataforma denunciei.com, canal anônimo de envio de informações mantido pelo ICL.

(Por Cléber Lourenço)

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