Alguns projetos de lei nascem como resposta direta a feridas sociais abertas. O chamado “PL da Misoginia”, aprovado recentemente no Senado, é um exemplo. Ele surge porque o ódio contra mulheres deixou de ser um ruído difuso para se transformar em linguagem política, estratégia de mobilização e, muitas vezes, motor de violência real. Não é só teoria: é uma cadeia que se estende da desumanização simbólica à agressão física, culminando, em última instância, na morte.
O crescimento de comunidades masculinistas, incels e redes de radicalização digital nos últimos anos transformou a misoginia num produto lucrativo. Há dinheiro, engajamento e capital político em jogo. Influenciadores monetizam a frustração masculina convertida em ressentimento, enquanto parlamentares cooptam esse público, oferecendo chancela institucional ao ódio. O resultado é que atacar mulheres – suas vozes, seus direitos, sua própria existência – deixou de ser tabu para se tornar plataforma de poder.