A simultaneidade impossível e a extrema direita

Nesse círculo infernal, o caos é engendrado sem trégua

A novidade mais relevante trazida pelo universo digital e, sobretudo, pelas redes sociais refere-se menos à quantidade de informação tornada disponível do que à simultaneidade de quatro eixos que compõem as mensagens midiáticas. Ora, por definição, quantidade de informação é relativa a um contexto determinado e depende diretamente da densidade do circuito comunicativo de uma dada época histórica. Não se trata de novidade “absoluta”.

Contudo, o universo digital e as redes sociais inauguraram uma inédita simultaneidade de quatro eixos: uma ação qualquer é transmitida no exato instante de sua ocorrência, que, por sua vez, também coincide com o momento de sua recepção. E, de imediato, propõem-se interpretações para a ação em curso. Por isso, com frequência, a recepção pode impactar o curso da ação, que ainda não foi concluída. Tal regime de tempo não é apreensível pela cognição humana, daí a tentativa de robotização das relações de trabalho e, inclusive, da construção das subjetividades. Daí também a atual febre com modelos de Inteligência Artificial. Só uma operação maquínica pode dar conta dessa simultaneidade: receber estímulos e, de imediato, oferecer uma resposta.

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