Na última terça-feira (27/10), corri para ainda alcançar a padaria que frequento numa quadra interna do Lago Sul a tempo de pegar a última fornada no balaio de cipó, antes de as unidades serem despejadas na vitrine. Nada como um pão francês quentinho. Em Brasília, ele é chamado de “pão de sal”, coisa de goianos… Cheguei sorumbático, olhar meio aparvalhado, foi um dia duro. Passava um pouco das sete horas da noite e a capital estava tomada ora pela surpresa, ora pela revolta com a notícia da fuga de Flávio Bolsonaro. O estabelecimento fica localizado no bairro mais bolsonarista do Distrito Federal e, durante a campanha eleitoral, foi todo enfeitado com bandeirolas do Brasil, como se estivéssemos em plena Copa do Mundo nos tempos em que a Seleção tinha relevância no futebol mundial.
Pedi “os oito franceses” de sempre e me dirigi ao caixa. Creio que estava com ar de doido – conjecturava sozinho as hipóteses dos caminhos percorridos pelo fugitivo que, menos de 48 horas antes, havia contabilizado mais de 59 milhões de sufrágios em seu nome. Navegando em meus próprios devaneios, sabia que estava carrancudo, cenho franzido e lábios recolhidos, duros e enrugados.