Os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 trouxeram o signo da incerteza ao horizonte imediato do dia a dia brasileiro. Mais do que apenas a alternância de poder – elemento indispensável ao jogo democrático –, desenha-se a possibilidade real de um novo ciclo autoritário, agravado pelo fantasma da vingança política.
Os sinais já se tornam visíveis e preocupam a todos que mantêm os olhos abertos e os ouvidos atentos. Fala-se em mudar a Constituição sem a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte; planeja-se uma intervenção inédita no Supremo Tribunal Federal, com uma radicalidade que sequer a ditadura militar (1964-1985) ousou implementar; discute-se um corte drástico em programas sociais sem o necessário cuidado com as consequências das medidas econômicas anunciadas. Por fim, ainda mais do que o projeto, assusta a arrogância tecnocrática com que é apresentado como a única alterativa à mão.