É comum o erro de analistas que decretam a morte de políticos.
Bons ou maus, sempre depende do ponto de vista, políticos que um dia desempenharam papéis importantes em um país costumam permanecer mesmo depois de derrotas acachapantes ou de serem enterrados.
Exemplos pelo mundo são tantos que basta citar um, em nossas fronteiras: Juan Domingo Perón.
O Brasil é rico em exemplos.
Para ficar só do século 20 para cá, basta lembrar de Getúlio Vargas e do getulismo.
Com continuidade dada por Leonel Brizola e o brizolismo.
Como esquecer de Jânio Quadros, depois do fiasco da renúncia à Presidência da República, em 1961, ressuscitado como prefeito paulistano, em 1985, com sua vassoura demagógica e o janismo restaurado?
Até Ulysses Guimarães foi sentenciado como acabado por problemas de saúde, e ressurgiu glorioso como presidente da Constituição Cidadã, comandada por ele com incrível resistência.
E Fernando Collor, saído da Presidência com humilhação, desmoralizado como Caçador de Marajás, apóstolo da corrupção, revivido como senador da República tão logo deixou de ser inelegível?
Quantos não decretaram o fim de Lula e do PT depois da criminosa prisão dele?
Havia até quem dissesse ser impossível para Lula juntar trinta pessoas na Avenida Paulista, a não ser para xingá-lo.
Desnecessário lembrar a triunfal festa da vitória em 2022 exatamente no espaço mais simbólico de São Paulo.
Deboche de miliciano

Tudo isso para lembrar que os democratas não podem cometer os mesmos erros dos bolsonaristas.
Arrogantes, fanáticos, torpes, apostaram ter matado a jararaca e a jararaca os derrotou.
Infligiu a primeira vitória na Historia do Brasil contra quem buscava reeleição, apesar de lutar contra quem tinha a máquina na mão, e investiu calculados R$ 41 bilhões para permanecer no cargo, à custa das contas do país.
É bom ficar atento e forte.
Não temos tempo de subestimar a morte da democracia com novo assalto da extrema direita apoiada pelos gângsteres da Casa Branca, tão evidente que nem fazem questão mais de disfarçar.
Flávio Bolsonaro é, sim, tão desprezível como o pai e nem o carisma debochado de miliciano herdou de Jair Messias.
Mas simboliza o que há de pior no Brasil e, portanto, tem o apoio da elite trilionária que sangra o país há cinco séculos.
Descartar gente com tamanho poder seria erro fatal, será fazer precisamente o jogo que essa gente quer, para golpear definitivamente a democracia por meio dela.
A Turquia tem feito assim, a Hungria assim fez, recuperar direitos depois é tarefa ainda mais difícil do que reconstruir a economia como vimos nos últimos quatro anos.
Com todas as debilidades inerentes a governos de coalização, inegável ser o Brasil de hoje incomparavelmente melhor do que o de 2022.
Daí ser imperioso dar a segunda certeira cacetada, matar dois gatunos com mais uma cacetada, mesmo com a consciência de que a organização criminosa reincidirá na bandidagem, como os escorpiões, porque é da natureza deles.
Nem os subestimemos, nem os temamos.
Tomemos as ruas na reta final, inundemos as urnas de votos no democrata para a Presidência e em seus apoiadores para os governos estaduais, Senado Federal e Câmara dos Deputados.
Pela última vez, é Lula lá!