O brasão da República e o crucifixo austero de Alfredo Ceschiatti afixados na parede de mármore bege-Bahia que reveste e contempla todo o fundo do plenário do Supremo Tribunal Federal (de resto, ornada apenas por flancos idênticos em formato de meias-luas entalhadas na pedra por Athos Bulcão para reforçar o princípio da igualdade de todos perante a Justiça) foram as únicas testemunhas integrais do momento em que o ministro Luiz Edson Fachin sacou uma garrucha imaginária do coldre improvisado na parte posterior da cintura, escondida pela toga de presidente da Corte Constitucional, e apontou-a para a cabeça cem por cento calva do colega Alexandre de Moraes.
Eram 15h54, como marcava o relógio atômico existente nas coxias do STF. Está lá porque tem por missão sincronizar os horários dos prazos processuais de todo o país. Naquela hora exata, Fachin concluiu seu voto pela admissibilidade da investigação contra Moraes e pela manutenção daquele caso apartado do pedido de investigação do ministro André Mendonça (formulado justamente pelo suposto réu daquela sessão, Alexandre de Moraes).