Em 1999, quando a rádio BBC de Londres escolheu Elza Soares como cantora do milênio, a imprensa brasileira foi pega de surpresa. Eleita uma das vozes mais emblemáticas do século junto à estadunidense Tina Turner, a carioca estava fora do radar da mídia nacional, por quem foi lembrada durante anos unicamente como a mulher de Mané Garrincha – sob o estigma de ter supostamente “acabado” com o casamento e a carreira do jogador –, e não pela impressionante intérprete que desde sempre foi.
A verdade, defende a jornalista Lígia Moreli, é bem o contrário. Enquanto Garrincha se afundava no alcoolismo, Elza lutava para garantir a sobrevivência da família em exílio na Europa, durante a ditadura militar. Foi nesse período, por exemplo, que ela lotou o Teatro Sistina, em Roma, substituindo Ella Fitzgerald, quando esta lenda do jazz precisou fazer uma cirurgia.