A despeito de intrigas palacianas, traições e riscos à democracia que representou a rejeição à indicação de Jorge Messias à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal, uma das lições (talvez a principal) desse processo é a de que, no vale-tudo da política, as mulheres não valem nada.
Isso se evidenciou na posição “totalmente” contrária ao aborto do advogado-geral da União durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A ênfase na fala de Messias, no entanto, não está pautada apenas por crenças morais e religiosas, ecoando a polarização em torno do tema, que se intensificou na primeira década dos anos 2000. Foi nesse período que, segundo a pesquisadora Patricia Jimenez Rezende, o aborto passou a integrar diferentes campos institucionais e do espaço público.