Como entender as contradições à flor da pele que contagiam a extrema direita, cujos representantes ainda assim são eleitos? Na Alemanha, o partido de inclinações radicais, e de uma inaceitável reminiscência nazista, a Alternative für Deutschland (AfD) acabou de obter uma vitória eleitoral que não pode ser diminuída, mesmo que tenha ocorrido num pequeno estado, Sachsen-Anhalt. No entanto, sua dirigente máxima é um paradoxo ambulante, sem o charme da metamorfose viva Raul Seixas. Alice Weidel é violentamente contra a imigração, embora viva em união civil com Sarah Bossard, de ascendência do Siri Lanka. Ela se opõe ao casamento gay e aos direitos LGBT, mesmo sendo casada com outra mulher. Opõe-se visceralmente ao multiculturalismo, mas em sua casa a diversidade é a regra na educação de seus dois filhos adotivos. Alice Weidel tornou o paradoxo uma mercadoria como outra qualquer, convertendo o contraditório em apelo para o voto.
(Mais ou menos como o deputado federal Nikolas Ferreira; em tese, defensor intransigente da liberdade de expressão, muito embora tenha pedido a supressão de matérias jornalísticas do ICL!)