O ministro terrivelmente golpista

Entende-se a razão pela qual André Mendonça confessou não se sentir feliz no STF

Em mais um dos episódios excêntricos do governo de Jair Messias Bolsonaro, a indicação do ministro André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF) obedeceu a um critério muito particular. O presidente havia prometido que seria a vez de indicar alguém “terrivelmente evangélico”. Critério jurídico anômalo, mas previsível no universo bolsonarista.

A cena que antecedeu à confirmação do nome de André Mendonça pelo Senado será vista pelos historiadores do futuro como um rito de passagem rumo a uma possível ordem teonomista – o verdadeiro projeto do fundamento religioso, que passou a dar as cartas na guerra cultural da extrema direita. Protagonista da ocasião, Michelle Bolsonaro não disfarçava seu nervosismo. Inquieta, caminhava de um lado a outro da sala, até que veio a resposta positiva: o Senado havia aprovado o nome de André Mendonça. A então primeira-dama não mais se conteve: deu saltinhos de contentamento, espalmou as mãos em agradecimento e falou em línguas, numa inequívoca manifestação pentecostal. O caráter laico do Estado foi esquecido sem constrangimento algum.

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