Ir ou não ir ao debate, eis a questão

Só faltava, aos 80 anos de idade, Lula bater palmas para maluco dançar
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A pergunta nem caberia no mundo politicamente civilizado.

É óbvio que candidatos à Presidência da República, ao governo de estado etc. deveriam ir a debates.

No mundo ideal jamais poderiam se furtar ao confronto de programas, de ideias, direito do eleitor.

Como assim?! Deixar cadeiras vazias no estúdio? Nem pensar.

Não seria retrato deprimente de democracia em frangalhos, desmoralizada, ofensa a quem quer fazer escolha consciente, respaldada em argumentos nascidos exatamente do duelo de propósitos, intenções, olho no olho?

Assim é se lhes parece, rara leitora e raro leitor, eleitora e eleitor. Parece mesmo indiscutível.

Mas, sempre tem um, ajustemos o foco, olhemos bem de perto o retrato que temos até o dia 4 de outubro na paisagem eleitoral brasileira.

De um lado, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, em busca do quarto mandato, líder em todas as pesquisas.

Do outro, quatro pretendentes: dois aventureiros de extrema direita, um por ser filho de popular presidiário e outro, arrivista, com discurso igualmente fascistóide e, por consequência, mal-educado; além de dois ex-governadores, um de Minas Gerais, outro de Goiás.

Todos eles dispostos a não poupar adjetivos, meias verdades, mentiras, ofensas, palavrões até, ao menos do mais incivilizado deles, como se viu na Band, contra o favorito, com nome e história a zelar.

Ponha-se no lugar do líder.

Você iria ou deixaria para eventual segundo turno, um contra um, sem patota, baixaria respondida com altivez, mentiras desmentidas com dados, meias verdades com a verdades, desespero com a tranquilidade de quem já debateu com gente qualificada em outras paradas, como com Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Leonel Brizola, Mário Covas, Ulysses Guimarães?

Estamos habituados a repetir, à exaustão, máxima só verdadeira aparentemente: “Quem não deve não teme”.

É o inverso: “Quem não deve é que teme”.

Vítima na defensiva

Quem não deve, quando atacado pelas falsidades que a fábrica de fake news produz, se vê às voltas com injustiças, com ofensas, que exigem ser respondidas, mas que põem a vítima de cafajestes na defensiva.

“Não, nunca roubei um chiclete, minha mãe não estava na zona, não cultivo ditadores, não vou fechar igrejas nem distribuir mamadeira de piroca ou fazer do Brasil uma Venezuela”.

Percebe?

Se Lula fosse ladrão não seria por ter apartamento no Guarujá, mas na Quinta Avenida, em Nova Iorque, ou na Champs Élysées, em Paris.

Não se contentaria com sítio modesto em Atibaia. Teria fazenda no Mato Grosso.

Convenha que ele não é um político qualquer, mas presidente do Brasil. Por três vezes, à beira do tetra, com poder suficiente para a grande corrupção, para ficar bilionário como Donald Trump. Definitivamente, não é o caso do ex-metalúrgico.

Para que se expor às baixarias de Flávio Bolsonaro e de Renan Santos? Por que ser escada para o falso, insosso e inodoro Romeu Zema ou para o raivoso Ronaldo Caiado?

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Debate na Band sem Lula, Flávio Bolsonaro e Zema (Foto: Reprodução)

Por mais que quisesse ver Lula reduzindo cada um à insignificância merecida, sim, é o caso de perguntar se vale a pena tamanho desgaste, tamanha exposição e perda de tempo.

Um estadista não deve se submeter aos métodos milicianos, porque é, como diz o velho ditado, esse sim válido: “Quem vê o leão atracado com o gambá não identifica de onde vem o mau cheiro”.

Daí o cuidado necessário para, mesmo que vença a luta, não se diminuir ao brigar com rastejantes.

É verdade que o embate político é penoso, que a democracia exige certas concessões, mas para tudo há limites.

E o baixo nível dos que hoje se opõe a Lula ultrapassa todos os limites.

Só faltava, aos 80 anos de idade, Lula bater palmas para maluco dançar.

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