Em meados de 2022, entre os meses de julho e agosto, desesperados porque a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição como presidente não decolava, o advogado Frederik Wassef, amigo de todo o clã familiar do ex-presidente e sócio de Flávio Bolsonaro em vários negócios que tangenciavam o Direito, resolveu ter uma ideia: procurar alguém que pudesse chegar até Adélio Bispo, autor da facada dada em Bolsonaro no dia 7 de setembro de 2018, e fazê-lo gravar um falso depoimento ligando o atentado de quatro anos antes ao Partido dos Trabalhadores. Em especial, a Luiz Inácio Lula da Silva (que se elegeria presidente poucos meses depois).
Sem conseguir estabelecer elos que fizessem alguém levar a proposta até a cela de Adélio na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), Wassef apelou para um velho e seguro contato que tinha na área de “segurança pública” em Goiás. Afinal, o amigo goiano do advogado jurava ter um contato seguro com sentenciados do PCC (Primeiro Comando da Capital, organização criminosa facínora) que cumpriam pena no Mato Grosso do Sul.
Celebrizado desde 2019 como alcoviteiro de Fabrício Queiroz, o administrador das rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Frederik Wassef achava que se a demanda fosse entregue nas mãos do PCC seria encarada como missão. Daí, a gravação – fake news, mentira absoluta – poderia ser usada como um massacre midiático de desinformação nas redes sociais durante a campanha.
Ousado, Wassef fez uma ligação de vídeo por whatsapp para o amigo “da área de segurança pública” em Goiânia. Escaldado por ter sido fritado em outros carnavais, o personagem goiano dessa história acautelou-se e gravou, ele próprio, um vídeo da ligação. Usou uma câmera fixa por trás de si. Em determinado momento da conversa, a fim de provar que tinha “divisões nos ombros” para pedir a ilegalidade que pedia, Frederik Wassef apontou a câmera de seu celular para Flávio Bolsonaro. O filho do ex-presidente surgiu então na tela. Nas imagens, o 01 acena para o interlocutor e serve como fiador do pedido esdrúxulo.
As fotos publicadas nesta coluna são fotogramas extraídos desse vídeo que segue em poder do amigo goiano de Wassef. Ele não tocou a proposta indecente para a frente.

