“Está tudo dominado. O ministro Gilmar fica os 90 dias de prazo para devolver o tema aos colegas. Nesse meio tempo, fazemos a convenção do PSD e registramos a candidatura. O TSE do ministro Kássio não irá se opor. Temos certeza”. De forma direta, objetiva e pragmática, é assim que um parlamentar aposentado do Distrito Federal que integra o quartel-general da campanha a governador de José Roberto Arruda (PSD) descreve com tranquilidade o roteiro para o ex-governador e ex-senador driblar a Lei da Ficha Limpa e sacramentar nova candidatura ao governo do DF.
Arruda foi cassado em 2001 em razão de violações cometidas no painel eletrônico de votação do Senado durante a sessão que cassou por corrupção o mandato de um desafeto local, o empresário Luiz Estevão (controlador do site Metrópoles). Em 2006, elegeu-se governador porque não havia Lei da Ficha Limpa. Em fevereiro de 2010, tornou-se o primeiro governador da História a ser preso no exercício do mandato. Saiu algemado da Residência Oficial de Águas Claras sob a acusação de tentar interferir no curso de processos contra ele. Em 2024, o Congresso Nacional aprovou uma emenda constitucional proposta pelos partidos de extrema-direita, de oposição ao governo Lula, reduzindo os prazos de inelegibilidade dos condenados que desejassem retomar a via política depois do cumprimento da primeira pena recebida. Em tese, a redução do tempo de inelegibilidade livraria os ex-apenados Arruda, Eduardo Cunha (PL, que foi presidente da Câmara dos Deputados) e Anthony Garotinho (Republicanos, ex-governador do Rio de Janeiro). “Os três estão conosco nessa demanda, nessa certeza e nessa operação”, assegura o ex-parlamentar do Distrito Federal que trabalha na coordenação de pré-campanha de José Roberto Arruda.