A interceptação dos barcos da Flotilha que navegavam rumo a Gaza, com a prisão arbitrária de seus passageiros por Israel em águas internacionais, é mais do que um ato ilegal: é um símbolo de como o poder armado tenta silenciar gestos de solidariedade e resistência civil.
No momento em que escrevo este texto, vários brasileiros estão incomunicáveis em território inimigo, presos e oprimidos por um estado genocida e racista. Não é a primeira vez que embarcações se tornam símbolos de dignidade diante da violência de Estados. Sindicatos portuários pelo mundo (da Nova Zelândia aos países nórdicos) se recusaram a descarregar navios vindos da África do Sul na época do Apartheid, transformando os portos em campos de resistência simbólica. Embora menos conhecidas que a Flotilha, organizações internacionais também tentaram mandar ajuda humanitária clandestina para grupos que lutavam contra a opressão naquele país.