Saquaremas ou luzias: sempre à direita

Mestre da vilania, o alferes Iago definiu com antecipação de séculos a personalidade política do Centrão

Reza o mito – coligido por Roberto Andrés no fundamental A Razão dos Centavos – que o Centrão tem suas origens remotas – mas sempre onipresentes – num pacto firmado durante a Assembleia Nacional Constituinte. Aqui, o alfa desde sempre é o ômega, o primeiro se reproduz no último: o acordo consistia em levar para o plenário para aprovação um texto final devidamente limado de seus pontos mais controversos, ou seja, ceifado de direitos ampliados para os mais vulneráveis.

Nada de novo sob o sol: no período monárquico, conservadores e liberais, isto é, no vocabulário da época, saquaremas e luzias, colocavam de lado desavenças cosméticas por idêntico motivo. O político pernambucano Antônio Cavalcanti de Albuquerque tudo sintetizou num aforismo profético: “Nada se assemelha mais a um saquarema do que um luzia no poder.” Entenda-se o inesperado espelhamento: os dois partidos se uniam na defesa, aberta ou constrangida, do prolongamento da escravidão pelo maior tempo possível.

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