A eleição deste ano no Brasil foi, seguramente, uma das mais difíceis que as esquerdas já enfrentaram. A ação decidida das big techs em favor de Flávio Bolsonaro, as ameaças constantes do governo dos Estados Unidos, a má vontade da mídia monopolista contra Lula, o apoio do poder econômico ao candidato do PL (um setor que, em 2022, se dividiu) e a dificuldade da campanha progressista em lidar com a insatisfação de setores populares diante dos resultados do governo fizeram dessa eleição um divisor de águas.
Podemos dizer que nada será como antes. Seja porque o fim do ciclo da liderança política de Lula se desenha de forma ainda mais definitiva no horizonte, seja porque as esquerdas já não podem postergar a tarefa de interpretar as mudanças em curso na sociedade brasileira. Transformações demográficas, culturais, religiosas e, sobretudo, aspiracionais estarão no centro da luta política pelos próximos quatro anos.