A dialética socrática dependia de uma sequência de ações discursivas, cujo diálogo interno inventou a filosofia como hoje a entendemos. O ponto de partida era a ironia. Sócrates simulava não saber algo, a fim de estimular o interlocutor a responder sem hesitação e com muita arrogância. Seguia-se a aporia, ou seja, o filósofo insistia em novas questões, evidenciando que a pressa sempre foi inimiga da precisão conceitual. No último momento, chegava-se à maiêutica, vale dizer, uma vez que o interlocutor reconhecia ignorar a resposta exata, Sócrates fazia a verdade nascer em sua boca, conduzindo o companheiro de travessia rumo ao conhecimento autêntico.
O protagonista desse processo é o ato de formular perguntas agudas, nada óbvias, a fim de trazer à luz ângulos inesperados de um problema determinado. Nas palavras do narrador de Brás Cubas, o segredo reside em propor uma “questão prenhe de questões, que nos levariam longe…”