Não é pequena e nem simples a crise de relacionamento pela qual passam petistas e socialistas em Pernambuco, estado natal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tendo sido desprezados por João Campos (PSB) na formação da chapa de reeleição à Prefeitura do Recife em 2024 e considerados aliados de segunda linha este ano, ou seja, entrariam por força de gravidade em qualquer palanque montado pelo prefeito da capital, os petistas levaram à undécima hora a decisão de seguirem ao lado do presidente na disputa estadual. Só farão isso depois de um encontro partidário convocado para o próximo sábado, 28 de março, e ainda há quem pretenda chamar uma Convenção extraordinária do PT para 3 de abril.
Depois de um périplo por Brasília na última quarta-feira, onde esteve com Carlos Lupi, presidente do PDT, Campos sacramentou a presença da prima, Marília Arraes, como candidata a senadora em sua chapa. Como Edinho Silva, presidente do PT, estava na conversa, o prefeito recifense acreditou que os petistas pernambucanos também abençoavam a aliança e convocou uma coletiva para o dia seguinte. Nela, formalizaria a aliança PSB-PDT-PT.
Candidato à reeleição este ano, o senador Humberto Costa (PT) recusou-se a ir à entrevista. O deputado Carlos Veras, presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, idem. Nenhum dos deputados estaduais petistas tampouco se abalou até a coletiva, que foi desmarcada. Uma ala grande no partido de Lula quer o PT no palanque da governadora candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), que experimenta forte crescimento de aprovação de gestão e de intenções de voto nas pesquisas.