A vaga aberta pela aposentadoria compulsória de Aroldo Cedraz no Tribunal de Contas da União tem disputa incendiária e o PL, sigla que se consolida como maior adversária do PT do presidente Lula dentro e fora do Congresso, traçou uma estratégia para derrotar a candidatura governista do deputado Odair Cunha (PT-MG): unificar o maior número de votos possíveis dos oposicionistas numa candidatura com viés “cotista” – ou uma mulher, ou o primeiro negro a assumir uma cadeira no TCU.
O negro já está em campanha como nome oficial do PL, mas não empolgou o eleitorado formado pelos 513 deputados. É Hélio Lopes (PL-RJ), aquele a quem o presidiário e ex-presidente Jair Bolsonaro exibia como “meu amigo negro”. Parlamentar de fraco desempenho legislativo, Lopes pode ser trocado de última hora pela deputada Soraya Santos (PL-RJ), personagem de ação parlamentar umbilicalmente associada a dois ases nefastos da Câmara dos Deputados: Eduardo Cunha e Arthur Lira. Os deputados Elmar Nascimento (União-BA), Danilo Forte (União-CE) e Hugo Leal (PSD-RJ) também disputam a vaga, mas sem muitas chances de agregarem uma maioria oposicionista que vença Odair Cunha. A eleição se dá por maioria simples do total de presentes à sessão de votação.
Até o dia 3 de abril irá se definir a abertura, ou não, de uma segunda vaga para o TCU. Augusto Nardes, que foi deputado pelo PP do Rio Grande do Sul antes de ascender à Corte de Contas, avalia antecipar a aposentadoria (que só ocorrerá de forma compulsória em 2027) para já. Ele estuda o regresso à carreira política disputando uma vaga para o Senado ou para a Câmara pelo mesmo PP gaúcho que o projetou. O partido do coração de Nardes vê a vaga como “sua” no tribunal e uma das possibilidades é que ela fique nas mãos de Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara ora em dificuldades na disputa por uma das vagas ao Senado por Alagoas.