A relação entre Brasil e Estados Unidos ingressa, em 2026, numa zona de atrito mais densa, mais complexa e mais reveladora da nova geopolítica hemisférica. No centro da tensão está a possibilidade de Washington classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Foreign Terrorist Organizations (FTOs), isto é, organizações terroristas estrangeiras.
À primeira vista, trata-se de uma discussão ligada ao combate ao crime organizado transnacional. Na prática, porém, o debate é muito maior: envolve soberania, extraterritorialidade, assimetria de poder, reorganização de cadeias estratégicas e reposicionamento do Brasil diante de uma nova doutrina de segurança dos Estados Unidos.