‘Orelha’ vira bandeira de campanha de delegado

Policial civil linha-dura de Santa Catarina adota vira-lata caramelo, desfila com ativista Luísa Mell e inicia campanha eleitoral dizendo-se convertido à pauta de cuidados com animais
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A tortura do cãozinho Orelha, em Florianópolis, comoveu o Brasil e deu ideia de ressurreição política a um personagem bastante conhecido em Santa Catarina: o delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel: ele adotou um vira-lata caramelo que escapou de uma tentativa de afogamento nas mãos dos mesmos adolescentes que assassinaram Orelha. Pré-candidato a deputado, Gabriel busca os holofotes adotando discursos extremados, sempre acompanhados da frase “aqui o bambu ronca”. Agora, tenta se projetar fazendo uso de vídeos comovente para se vender como “leal tutor” de um animal vítima de maus tratos. O policial ainda surgiu nas redes sociais com a ativista Luísa Mell – capitalizou cada minuto do noticiário que trouxe à tona as investigações.

O movimento repercutiu entre os futuros concorrentes dele. Se disputar mesmo as eleições, terá na deputada federal Júlia Zanatta (PL) uma grande opositora. Ambos disputam votos no sul do estado e Zanatta ainda busca emplacar o marido junto com apropria reeleição. O delegado já apareceu em confrontos diretos com antagonistas em regiões de Florianópolis e promoveu operação contra ativistas de direitos humanos e um partido de esquerda porque protestavam contra a presença de Nikolas Ferreira em uma universidade. Antes da radicalização e da exposição midiática, ele era visto como ponderado. Hoje, alas da Polícia Civil o consideram um risco para a instituição pelo perfil excessivamente político e “pavão”.

(Por Amanda Miranda)

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