O paradoxo Brasil – II

O eterno retorno de uma simetria perversa

Bem-sucedido e desterrado: eis onde paramos na coluna anterior. Como entender esse aparente paradoxo? Como preservar sua tensão constitutiva e transformar o impasse em reflexão renovada sobre as origens da formação histórica brasileira? A tarefa não é fácil. O próprio Sérgio Buarque de Holanda preferiu diluir o dilema na edição definitiva de Raízes do Brasil. Como vimos na semana passada, o historiador ficou apenas com o desterro, apagando o aparente êxito na “transplantação da cultura europeia para uma zona de clima tropical e subtropical”.[1]

O ensaio ficou assim mais endomingado, mais coerente em sua linha argumentativa, pronto para ser canonizado. Mas, infelizmente, desse modo, perdeu-se o que, de fato, importava, qual seja, assinalar a contradição que ainda hoje assombra o Brasil.

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