No escuro claustrofóbico do filme O Ovo da Serpente, de Ingmar Bergman, um personagem alerta: “É possível ver toda a estrutura da sociedade através de uma pequena rachadura, como se fosse um ovo transparente”. A metáfora, pensada para retratar o nascimento do nazismo na Alemanha, ecoa hoje no Brasil e no mundo. A prisão de Jair Bolsonaro, longe de significar o fim do bolsonarismo, revela apenas que o ovo rachou — e a serpente, mais uma vez, tenta nascer.
O bolsonarismo sobrevive para além de seu líder original. Alimenta-se das redes sociais, do ressentimento social e de alianças internacionais com a extrema direita global. Como apontou o deputado Guilherme Boulos (PSOL), “a prisão de Jair Bolsonaro é um primeiro passo, mas está longe de ser o fim do bolsonarismo, que ainda tem força graças à influência do algoritmo das redes sociais”. Para ele, o governador Tarcísio de Freitas já “está em campanha aberta para ser o candidato da extrema direita em 2026”.