No Planalto, PSB em baixa; PDT e até PSD em alta

Lula e Alckmin têm reclamado do excesso de centralidade de João Campos nos projetos pessoais dele para a eleição de 2026. Críticas contrastam com elogios a outras siglas
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está satisfeitíssimo com o vice Geraldo Alckmin, como nunca deixou de dizer. Porém, nem ele, nem Alckmin, andam felizes com a condução das estratégias eleitorais do PSB ao qual o vice está filiado e que tem o prefeito do Recife, João Campos, como presidente nacional. Nesta semana que passou, Lula reclamou com interlocutores petista e não petistas, com gente do governo e de fora dele, da forma autoritária como Campos conduz as conversas sobre projetos eleitorais.

Em Pernambuco, onde a prioridade do PT é reeleger Humberto Costa no Senado, o prefeito dificulta a confirmação de uma chapa com o partido do presidente porque foi longe demais em compromissos com o Republicanos e o União Brasil. Em São Paulo, os projetos da deputada Tábata Amaral, que formaliza o casamento com João Campos logo depois do Carnaval, estão sempre se sobrepondo aos do ministro Márcio França, dirigente histórico do PSB no estado, e mesmo do próprio vice-presidente. Numa conversa com integrantes da bancada pernambucana, Lula reclamou diretamente da falta de parceria macropolítica dos socialistas.

Por outro lado, o PDT de Carlos Lupi voltou com tudo e às boas para o palanque do PT. Pautado por Lula, Edinho Silva, presidente do Partido dos Trabalhadores, anunciou a Lupi que a Executiva Nacional não se oporia a alianças no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e no Paraná com cabeças de chapa pedetistas. No caso, Juliana Brizola (RS), Alexandre Kalil (MG) e Roberto Requião (PR). Entre gaúchos e paranaenses a construção de um consenso em torno de candidatos a governador do PDT com apoio do PT é mais fácil do que em Minas. Kalil resiste em ter o apoio de alguns petistas estaduais com os quais construiu um oceano de divergências ao longo dos anos.

Até o PSD de Gilberto Kassab soa mais pragmático e leve do que o PSB nas costuras estaduais com o PT, em que pese a legenda insista em dizer que terá candidato à presidência. Em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará e Santa Catarina, seis dos 12 maiores colégios eleitorais do país que reúnem 83% do eleitorado e decidem o pleito, os candidatos do PSD pedirão voto para a reeleição de Lula independentemente de a sigla de Kassab ter ou não um presidenciável para chamar de seu.

Pedetistas e pessedistas tocam música para os ouvidos do presidente petista, enquanto o PSB de João Campos era o tom da orquestra de frevo que ensaia pôr nas ruas para a própria eleição.

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