Se a rara leitora ou o raro leitor perguntasse a quaisquer dos editores da grande mídia brasileira com quem eles prefeririam jantar na casa deles, se com Jair Bolsonaro ou com Lula, então adversários em 2022, provavelmente ouviria de todos que com nenhum dos dois.
Já se a pergunta fosse com Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad, adversários em 2018, por unanimidade a resposta seria com o petista.
Porque convidar o Messias embutiria o risco de ele cuspir no chão, quebrar algum vaso de cristal e ainda fazer piada grosseira diante da mulher do anfitrião.
O professor, ao contrário, além dos bons modos, acrescentaria intelectual e culturalmente.
O que não mudou o voto na cabine indevassável nem o apoio disfarçado, pois o Haddad era Lula sem barba.
Hoje, entre Flávio Bolsonaro e Lula, é capaz de a resposta ser idêntica à de 2018.
Sim, parece incrível.
O “sapo barbudo” permanece indigerível para o andar de cima, embora os bancos lucrem sem parar, a inflação esteja sob controle, o desemprego em níveis baixos como nunca – mas, mas e mas, sempre sobram adversativas porque os gananciosos gurus permanecem com previsões catastróficas.
Adorariam uma terceira via e, como a dita não aparece, “vamos com tu mesmo, fascistinha corruptão”.
É triste e desanimador, a vida como ela é.
Mentiroso e reacionário
Nada que se compare, no entanto, aos veículos da extrema direita, como Jovem Pan e Oeste, o segundo nascido do primeiro, e como sói acontecer em tais situações, para contrariar Charles Darwin, em franca involução, o que, cá entre nós, é fenomenal.
E tem ainda a Veja, lembra dela?
Se não, vejamos.
Morta a Jovem Pan comandada pelo velho Tuta, o que era inteligentemente conservador virou burramente mentiroso e reacionário.
Ter jogado a carga mais pesada no lamaçal à oeste de pouco adiantou. Paciência.
Para a emissora, a visita de Lula à Casa Branca beirou o fiasco absoluto. Mais paciência.
Já na publicação comandada pelo Urubu de Taquaritinga, antigamente conhecido como Augusto Nunes, a degradação chegou aos píncaros da glória.
Ameaçada por fuga de assinantes, que farejaram eventual desembarque da candidatura do Bolsonarinho, o Urubu despojou-se de inexistente resquício de vergonha na cara, vestiu elegante paletó, subiu na carniça e apelou: “Continuo amigo do Flávio, ele não se queixou da gente, queremos o que ele quer, não é possível que não seja brincadeira pensar em mudança de nossa linha”. Vergonha alheia.
Muita. De corar.
E tem a Veja, veja só.
Talvez invejosa do PowerPoint da GloboNews, a ex-revista em atividade publicou capa vergonhosa, na qual o financiamento do documentário de Oliver Stone sobre Lula é maliciosamente atribuído ao mesmo esquema usado no Dark Horse bolsomasterista.
Mesmo depois de cabal desmentido do próprio Stone, acompanhado de promessa de processo por calúnia, como publicou a repórter Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S. Paulo.
Chico Alves tratou do tema com o brilho habitual no site do ICL Notícias no último dia 16 de maio.

Leitores em fuga
Mesmo que nada mais surpreenda na desesperada extrema direita brasileira, convenhamos, o pessoal anda exagerando.
Assim não haverá promoção de venda de assinaturas que dê conta da fuga daquele leitorado que, mesmo ideologicamente simpático às ideias de direita, é inteligente o suficiente para não gostar de ser enganado.
Note a diferença: quando aqui no ICL não poupamos ministros do STF por suas faltas éticas, houve também assinantes insatisfeitos.
Nem por isso arredamos da obrigatória postura crítica de quem faz, verdadeiramente, jornalismo independente – e financiado apenas e tão somente por pessoas físicas.
Ninguém pediu penico, abrandou posição ou coisa que o valha.
Do jeito que vão os concorrentes, não haverá, “de grátis”, engradado de detergentes, pneus sagrados ou celulares ligados a Deus que deem jeito em suas promoções.
Pior que a mídia de extrema direita nem Aldo Rebelo, atropelado por Joaquim Barbosa.
O triste fim de Policarpo Quaresma é tão deprimente como vem sendo o da Veja e o da Pan.
Já a Oeste não tem fim: apenas sobrevive a aborto mal feito.